retornar à página das famílias

Biografia e genealogia de Francisco de Paula e Maria Isabel

 

"Chico Ribeiro - Chico de Paula"

Francisco de Paula

Sinhá

Francisco de Paula Ribeiro

Maria Isabel Coutinho Ribeiro

Franscisco de Paula

Sinhá 

 
chico Presidente Associação Comercial de Santos Chico bico de pena

Chico Ribeiro - Acervo da Associação Comercial de Santos - Ele foi o terceiro Presidente da Associação - Tela pintada por Henrique Bernardelli e restaurada por Linaldo Cardoso em duas ocasiões em 1994 e 2000 e Chico Bico de pena

 
Se você tiver informações que possam me ajudar a construir essa página, entre em contato. Fale comigo

Um pouco de sua história

Carta escrita por Noé Ribeiro, seu filho

Artigo publicado no jornal "Diário de São Paulo"

Sua participação na Cia Docas de Santos

Artigo publicado em um jornal do grupo "Diários Associados" aproximadamente em 1942

Ancestrais e familiares de Francisco de Paula

Ancestrais e familiares de Maria Isabel

Um pouco da história e fotos de seus filhos

Fotos de Chico de Paula, Maria Isabel e filhos

Assinatura de Francisco de Paula em 1905
assinatura Francisco de Paula

 retornar ao topo da página

Sua história

Francisco de Paula Ribeiro nasceu na cidade de Pelotas, na Província (atual Estado) do Rio Grande do Sul, Brasil, no dia  22 de janeiro de 1851. Foi batizado no dia primeiro de janeiro de 1852 na Matriz de São Francisco de Paula de Pelotas, pelo Vigário Pe. Antonio da Costa Guim. Foram seus padrinhos o avô materno Antonio de Moraes de Figueiredo Vizeu (em outra certidão consta os avós maternos) e sua tia materna Maria Elizia Rodrigues Vizeu.
Faleceu em sua residência à Avenida Paulista nº 124, na cidade de São Paulo, no dia 13 de julho de 1915, às 12:00 horas, vitimado por um tumor malígno no fígado, conforme atestado do Dr. Pinheiro Cintra.  Era filho de Francisco Luiz Ribeiro, português de Valença do Minho e de Virginia Cândida Vizeu, que passou a chamar-se Virginia Cândida Ribeiro após o casamento, ela era brasileira natural de Pelotas, RS. Chico casou-se no dia 15 de maio de 1880 com Maria Isabel Coutinho (Coitinho) da Silva, que após o casamento passou a chamar-se Maria Isabel Coutinho Ribeiro. Sinhá, como era conhecida, nasceu na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 25 de junho de 1863 tendo sido batizada no dia 10 de abril de 1864 na igreja de Nossa Senhora do Rosário, Porto Alegre, RS, e faleceu em São Paulo no dia 26 de dezembro de 1946. Era filha de Sebastião Coutinho da Silva, uruguaio, natural de Montevidéu e de Francisca Baptista Tubino, brasileira, natural de Porto Alegre, RS, que passou a chamar-se Francisca Baptista Coutinho após o casamento.
Maria Isabel, já viúva, mudou-se aproximadamente em 1929 da Avenida Paulista 124 para a rua Bahia 160, Higienópolis, local de seu falecimento.
O casamento foi realizado na cidade do Rio de Janeiro, na Paróquia de São João Batista da Lagôa. Foram testemunhas do ato o Coronel Joaquim Quirino dos Santos e Candido Gaffree, tendo também assinado como presente ao ato Eduardo Palassim Guinle. O casamento foi celebrado pelo Vigário Francisco Martins do Monte. Por ocasião do casamento ele residia na cidade de Santos, SP, local onde foram morar e ela na cidade do Rio de Janeiro.
Tiveram 22 filhos: I
sabel, Samuel, Abrahão, Branca, Eulalia, Lina, Saul, Saul, David, Maria Isabel, Salomão, Sara, Jacob, Juliana, Noé, Virgínia Cândida, Maria, Áurea, Evangelina, Celina, Heloisa e um filho ou filha natimorto, não se sabe em que época.
C
onheceu sua esposa no Rio de Janeiro, na casa de sua irmã Guilhermina, que era casada com Eduardo Palassim Guinle, e que viria a ser um dos seus futuro sócios na Cia Docas de Santos.
Foi buscar em Pelotas, RS, sua mãe viúva e as irmãs solteiras para morarem com eles em Santos.
O casal teve 22 filhos sendo que 19 deles nasceram em Santos e os três últimos, Evangelina em 1902, Celina em 1903 e Heloisa em 1905 nasceram no Rio de Janeiro. Eram 13 mulheres, 8 homens e um filho ou filha que nasceu morto, que não foi possível identificar.
Dos 16 filhos que chegaram a idade adulta, 12 eram mulheres e 4 homens. Os outros faleceram ainda crianças, por diversas razões.
Todos os seus quatro filhos homens, que sobreviveram a idade adulta, Samuel, Abrahão, Noé e David, tiveram formação universitária, inclusive no exterior. As suas filhas, de educação e cultura esmeradas, falando inclusive várias linguas, nunca estudaram em colégios oficiais, tendo sido educadas em casa, pelo seu pai e sua mãe e por professores particulares, tais como, entre outros, Elvira Brandão, Maestro Luigi Chiaffarelli (música).
A sua vasta e valiosa biblioteca, de autores nacionais e estrangeiros, que serviu durante toda a sua vida para a própria educação e cultura e posteriormente de seus filhos, foi doada por sua esposa em 1934. Com o acervo doado, foi criada em São Paulo, pelo Instituto de Educação, a Biblioteca Pública do Serviço de Psicologia Aplicada à Educação “Francisco de Paula Ribeiro”.
Eles estão sepultados no cemitério da Consolação, em São Paulo, na quadra 48, terreno 31, juntamente com Virginia Cândida Ribeiro, mãe de Francisco de Paula, que faleceu em Santos em 1897 e teve suas cinzas trazidas para esse jazigo posteriormente. Seu pai, Francisco Luiz Ribeiro faleceu no dia 21 de setembro de 1877 e foi sepultado no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, tendo os seus restos mortais sido exumados em 09 de setembro de 1918 e depositados no ossário geral do cemitério.
Francisco de Paula era o 6º filho de um total de 16.
Em 1885 assumiu uma diretoria da Associação Comercial de Santos tendo sido posteriormente eleito presidente. Ele foi o terceiro presidente da Associação, umas das mais antigas do Brasil, fundada em 22 de dezembro de 1870, tendo como primeiro presidente o Comendador Nicolau Vergueiro e como segundo presidente Antônio Ferreira da Silva “Visconde do Embaré” (1824-1887).
A sua fotografia encontra-se na galeria de fotos dos ex-presidentes da Associação Comercial.
Foi também vereador pelo Município de Santos, por volta de 1884.
Francisco de Paula tem um ascendência Portuguesa continental e Maria Isabel uma ascendência Italiana e também portuguesa, porém toda ela do Arquipélago dos Açores.

 retornar ao topo da página

Carta escrita por Noé Ribeiro, seu filho, em 24 de outubro de 1949, à Guilherme E. Winter, contando um pouco sobre a vida e obra de seu pai

“Meu Caro Ernesto

De acôrdo com o que te prometi dou, a seguir, um relato do que sei a respeito da vida privada do nosso saudoso Pai. Como dos mais moços de nossa numerosa família, pouco sei de positivo e o que ouvia eram sempre vagas e lendárias referências à sua atribulada mocidade. Infelizmente pouco convivi com êle, pois tinha apenas dezessete para dezoito anos quando o perdi. A indelevel lembrança que dele tenho, é a de sua extrema bondade, de sua fina educação e de seu bom senso.
Sempre tolerante para com os erros dos outros, sempre disposto a socorrer os necessitados. Nele não havia sombra de egoismo, dedicou toda a sua vida ao bem dos seus filhos, parentes e amigos. Pouco falava de si próprio, reservado e modesto como era; entretanto Mamãe, muito mais viva e loquaz, era quem nos informava, de quando em vez, do que tinha sido seu extremoso e dedicado companheiro e por ela é que vim a saber de uma porção de coisas interessantes e altamente edificantes, conforme passo a te contar:-
Papai, nascido na cidade de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul, a 22 de janeiro de 1851, era filho de Francisco Luiz Ribeiro, membro de nobre e ilustre família portuguesa, e que foi Consul de Portugal, o que denota a sua elevada posição social e grande conceito em que era tido. Ao que me consta viveu Vovô em relativa abastança, mas em virtude de um insucesso em sua vida de negócios, viu-se, a certo tempo, a braços com dificuldades financeiras. Por êste motivo seus filhos cedo foram lançados, materialmente desamparados, na luta pela vida. Papai, moço, forte e cheio de coragem emigrou para Santos onde iniciou suas atividades e, segundo ouvi dizer, conseguiu por si só o seu primeiro emprego no armazem de um português. Tinha êle, então, cêrca de dezessete anos. Por causa das aperturas financeiras de Vovô, na última fase de sua vida, Papai não conseguiu completar os seus estudos secundários. Era, entretanto, extraordináriamente vivo, inteligente e esforçado e a nós todos, seus filhos, causava pasmo a cultura que modestamente nos exibia, corrigindo as nossas lições de português, francês e inglês, e ensinando-nos aritmética e álgebra. Falava e escrevia o nosso idioma primorosamente. Que coisa extraordinária ! Como teria êle conseguido se elevar tão alto, a não ser por seus próprios e ingentes esforços.
Mas por pouco tempo foi êle humilde empregado do armazem, passando logo à sua chefia. Assim é que alguem, em casa, contava-nos a história, como tendo ouvido de Papai, de que êste certa vez dissera:- “A primeira coisa que me puseram nas mãos quando cheguei a Santos foi uma vassoura que manegei com orgulho e consciência, tão bem que logo a deixei para assumir funções de maior responsabilidade”.
Costumava meu Pai, dizer-me que o que mais enobrece o homem é o trabalho honesto. Orgulhava-se em me contar que a sua primeira cama, em Santos, quando começou a trabalhar, era um duro balcão de armazem e que como travesseiro tinha um celim do cavalo que o levava em jornadas de humilde serviço entre Santos e Cubatão.
De mamãe ouvia, a miude, curiosas histórias esparsas, como estas:
Papai, em seu grande sonho de fazer um cais em Santos, conseguiu, à custa de ingentes sacrifícios, construir um trapiche ou pontão de madeira ao qual atracariam embarcações já de porte maior. Até então só os clássicos batelões entravam pelo canal a dentro. Pois logo que pronto o pontão, os catraieiros que dominavam o rendoso negócio de transporte do café em lombo de negro da terra para as catraias e destas, na entrada da barra, para os navios transatlânticos, puseram-lhe fogo! Papai não desanimou e sacrificando o próprio conforto material doméstico logo a seguir encetou a construção de um outro, para o que, no dizer de Mamãe, chegou a vender até seus modestos moveis e...até uma correntinha de ouro que Vovô lhe havia presenteado! Naquela época poucos eram os que alcançavam o verdadeiro sentido de suas palavras: “Santos está fadada a ser a Nova York do Brasil. Precisamos construir o cais”. Nem mesmo o seu cunhado Eduardo Guinle, que residiu no Rio onde explorava o negócio de armarinhos à Rua de S. Pedro (onde Mamãe se casou), acreditava nos seus constantes apelos. Não estava à altura, era bacuráu ... Contava Mamãe que em resposta a um dos muitos convites que a êle e a seu sócio Candido Gaffré lhe dirigiu Papai para que entrassem no negócio que foi mais tarde a Companhia Docas de Santos, respondeu em memoravel carta na qual dizia textualmente: “Chico, tu és um visionário, deixa-te destas manias e vem para o Rio onde tens um balcão à tua disposição”. Mas o homem era um iluminado e um combativo, e assim foi que prosseguiu com tenacidade em seu sonho e o tornou realidade! Não só se lhe devem a ideia e, mais tarde, a organização da Companhia Docas de Santos, como o grande empréstimo concedido pelo Banco do Brasil para a construção do Cais. Homem insinuante, convincente e muito relacionado, foi êle quem ideou, estudou e realizou a grande operação fianceira, se não me engano no valor de dezesseis mil contos de reis! Parece-me que pouco antes disto era êle correspondente, agente ou representante em Santos do Banco do Brasil. Infelizmente não tenho em mãos documentos que possam comprovar estas e muitas coisas mais. Após o seu falecimento, em julho de 1915, a sua enorme biblioteca e arquivo de preciosos documentos, foi aos poucos desaparecendo e como eu era ainda muito moço nada veiu ter às minhas mãos.
Papai tomou, também, parte no movimento de libertação dos escravos. Lembro-me, ainda, de uma comovente história que Mamãe contava:- no dia em que foi promulgada a Lei respectiva, os negros de Santos, em imensa massa, foram à Praia onde morávamos e lá, pregando a todos um grande susto, fizeram à Papai uma ruidosa manifestação, devorando e bebendo tudo quanto havia em nossa farta dispensa.
Mas de tudo quanto nós nos lembramos ao vivo, o que mais ficou gravado em nossa memória e em nossos corações foi a sua extrema doçura, a sua infinita bondade. Êle, literalmente, viveu para os outros. A nossa casa era um grande hotel que abrigava indistintamente a família, os parentes e os amigos. Tu, tão bem quanto qualquer um de nós, pois que foste um de seus filhos diletos, certamente te lembras do que eram as nossas casas de Santos, do Rio (São Clemente) e de São Paulo. Eram enormes, cheias de quartos, cheias de gente – parentes e amigos, e a todos eram prodigalizados os mesmos carinhos, as mesmas atenções. Enquanto êle viveu só conhecemos a fartura, o desprendimento, a generosidade! E isto era apenas a parte visivel do bem que êle fazia, pois quanto ao conforto moral e ajuda material que reservadamente, discretamente, levava a muita gente em aflição, nem podes imaginar!
Homem extremamente simples, não era dado a exterioridades, embora se vestisse com grande apuro mas muita sobriedade, - quase sempre de preto ou de azul marinho. Era raro ve-lo usar roupas claras, a não ser o brim branco nos grandes calores de Santos. O seu guarda-roupa era um simples movel no menor quarto da casa. Levantava-se de madrugada e punha-se a estudar e a trabalhar em seus papeis. Era um auto-didata, pois, como já disse, não teve quem o amparasse quando, ainda muito jovem, perdeu seu Pai. Lembro-me edificado como se preocupava com nossos estudos e com que proficiência nos ensinava todas as matérias do curso ginasial, inglês, francês, português, história, aritmética, álgebra etc...Lia muito, - leu sempre até o fim de sua vida. Jamais levantou o seu timbre dôce de voz para quem quer que fôsse e a todos, poderosos e humildes, tratava com urbanidade. Às empregadas tratava por “Senhora” e ao invés de lhes dar ordens, pedia-lhes “por favor”. Nós o adorávamos e o respeitávamos, e as suas meigas palavras de advertência eram para nós todos ordens a acatar sem a menor sombra de dúvida. Nunca de sua boca saiu recriminação a qualquer pessoa e estava pronto a defender a quem fôsse atacado. Era um homem bom e compreensivel.
Eis, caro Ernesto, o pouco que dele posso te contar. Sei, ainda, que foi muito empreendedor e aí estão inúmeras realizações nas quais foi magna-parte:- Leopoldina, Campos do Jordão etc...Sei, também, que foi um dos idealizadores da Noroeste e, a propósito, creio que tens em teu poder anotações de próprio punho em um caderninho que encontrei, não faz muito tempo, em em meio de papeis velhos, nas gavetas do quarto de Mamãe. De uma coisa nunca me esquecerei: de sua doçura, de seu grande e generoso coração, do que êle foi para todos nós.
Abraça-te o irmão amigo
Nóe Ribeiro
P.S. Creio que Vovô foi também Consul em Buenos Aires, onde nasceram alguns de seus filhos. Formou seus irmãos mais moços, - tio Leão, por exemplo, em Doutor em Direito, e o seu diploma eu o encontrei em meio de moveis em casa de Mamãe. Está com o Abrahão.”

 retornar ao topo da página

DIARIO DE S. PAULO    Domingo, 30 de novembro de  1947- Pagína 3
UMA    GRANDE    VIDA
(Especial para o DIARIO DE S. PAULO)
Artigo de Guilherme E. Winter - Antigo secretário da Viação

"Os jornais, ha dias, quando das comemorações do centenario de nascimento do grande engenheiro Guilherme Benjamim Weinschenk, ao fim de extensos e merecidos comentarios quanto a esse eminente profissional, diziam o seguinte:“
Quem procurar conhecer a historia das Docas de Santos verá que a sua atenção se ha de fixar, insensivelmente, sobre tais vultos impressionantes: Candido Gaffrée, Eduardo Guinle e Guilherme Weinschenk -- Gaffrée o homem empreendedor, alta capacidade de organizar e dirigir, foi, segundo parece, o idealizador da empresa: Guinle, experimentado no comercio, espirito inteligente e disciplinado, foi conselheiro avisado e prudente de Gaffrée: Weinschenk, engenheiro dos mais notáveis, foi o braço executor…etc. etc.”.
As noticias foram publicadas em varios jornais, nos mesmos termos, com as mesmas falhas, sem modificação de uma virgula, pelo que se é obrigado a concluir o terem provindo de uma unica fonte, interessada, não se sabe porque, em fazer disparar pelo Mundo, com o timbre irrecorrivel da certeza, uma proposicão das mais erroneas que esta a pedir uma corrigenda, para pôr-se tudo em termos de verdade.
Com o que se segue não se pretende diminuir ninguem, pelo contrario, como com habilidade o fez a noticia, desejo aproveitar-me do momento para, ao reconhecer os meritos de Weinschenk, prestar merecida homenagem ao dois destacados patricios Candido Gaffrée e Eduardo Guinle, não permitindo que lhes carreguem com culpas de atos que não praticaram.
A historia das Docas é outra. Na decada anterior, à proclamação da Republica, vivia em Santos, com a sua numerosa familia, um homem de todos conhecido pelo seu grande carater, pela sua apurada inteligencia e modestia incomum, pela afabilidade de trato, dotado de alto espirito público: esse homem era Francisco de Paula Ribeiro, mais conhecido por Chico Ribeiro.
Criatura observadora, amante de estatisticas, ao par do crescimento da Provincia de São Paulo e da zona que lhe é tributária - Paraná - Matto Grosso - Goiás - Minas Gerais - justamente ajuizou da urgente necessidade de aparelhar-se o porto de Santos para a pratica de intensas permutas que logo ocorreriam, como consequencia lógica do enorme progresso à vista, em futuro imediato, resultado do intenso e ousado trabalho bandeirante.
Por esse tempo, a Provincia de São Paulo havia obtido do Govêrno Central concessão para levar a cabo tal aparelhamento que muita gente, tomada pelo prestigio de que gozava o artigo ingles, entendia deveria ser executado pela São Paulo Railway que já explorava, com sucesso, a linha ferrea Santos-Jundiaí. O Govêrno da Provincia, não se sabe porque, não providenciava quanto ao uso da concessão; forçado, porém, pelo reclamo público, abriu uma concorrência que não foi ao seu têrmo por isso que o Governo Imperial, ante a grita dos interessados, destacando-se entre êles a Associação Comercial de Santos cujo presidente era Chico Ribeiro, quanto aos dizeres confusos do edital, houve por bem declarar caduca a concessão, em princípios de 1886.
Durante todo êsse tempo sobressaiu-se o trabalho de Chico Ribeiro no sentido de apressar-se o início de tão necessárias obras, sempre combatendo a idéia de confiarem-se elas à São Paulo Railway.
Do acerto com que se houve, sobretudo neste último ponto de vista, diz bem o estado de obsolencia e de inadequabilidade a que reduziu a velha via ferrea, a incuria da administração inglesa.
Nessa época aventou-se na Camara dos Deputados, no Rio, por meio de uma emenda, a idéia de realizar o próprio Governo Central as obras em questão.
Encalhada por largo tempo a proposição, ainda Chico Ribeiro como presidente da Associação Comercial de Santos, dirigiu-se ao Senador José Bonifacio, a 27 de agosto de 1886, solicitando-lhe que se empenhasse junto aos poderes públicos para ser resolvido com urgencia o problema inadiavel do porto de Santos. Afinal, a 19 de outubro de 1886, o Governo Imperial chamou concorrentes à obra, saindo vencedor o grupo de que faziam parte Gaffrée e Guinle. Como se vê, a descoberta do negocio, a luta tremenda para que fosse levado ao fim, o impedir-se que fossem os melhoramentos simplesmente confiados a São Paulo Railway, enfim, tudo que se passou de 1884 até a entrega da concessão a Gaffrée e Guinle, foi obra pessoal de Chico Ribeiro.
Gaffrée e Guinle, pessoalmente ignorantes das coisas destas partes, só conheciam o porto de Santos como lugar de passagem, nas suas viagens do Rio Grande do Sul, de onde eram naturais, para o Rio de Janeiro, onde negociavam em armarinho: quando Chico Ribeiro os procurou, como amigos que eram, para associados executarem os obras do porto, assustaram-se com o que qualificavam de otimismo exagerado do amigo. Nessa ocasião Weinschenk era engenheiro da Leopoldina e só quando se organizou a empresa para cumprir o que impunha o edital de concorrencia que haviam vencido Gaffrée, Guinle e Ribeiro, é que, como engenheiro chefe entrou a projetar e logo depois a dirigir as obras referidas.
Durante a execução dos trabalhos começados a 8 de setembro de 1890, isto é, desde a fundação da Companhia Docas de Santos até 1903, quando concluido o cais e já saneado o porto de Santos, data em que mudou-se para o Rio, foi Chico Ribeiro Superintendente das Docas e assim teve à sua conta as relações públicas da Cia, as lutas pela fixação de taxas e tarifas de serviços, horriveis epidemias de febre amarela, variola e malaria, as greves, os tempos amargos da revolucão de 1893 …, em suma, orientou, sustentou e dirigiu o sistema, conduzindo-o vitorioso ao estado de produzir os explendidos lucros auferidos pelos seus amigos Candido Gaffrée e Eduardo Guinle.
Para nos certificarmos da veracidade do que estamos a enunciar basta citar os termos da carta desse insuspeito testemunho - Candido Gaffrée - a Chico Ribeiro, de 1º de fevereiro de 1902 quando se completava um decenio da inauguração do primeiro trecho do cais com a atracação do vapor “Nasmyth”:
“Tendo sido tu um dos principais elementos na constituição e execução desse futuro colosso (referia-se ao cais de Santos) sinto, como já disse, não estar aí para dar em pessoa o abraço que envio e que é a manifestação do meu reconhecimento ao amigo e dedicado companheiro. Se aí estivessemos juntos o dia seria de festa na familia do Cais da qual a tua é magna parte, pelo que abraço a todos…”.
Postos os pontos nos ii, fica provado que o verdadeiro autor do cais de Santos é Chico Ribeiro, por ter senão defendido ardorosamente a idéia, como organizado o negocio e superintendido os trabalhos até a conclusão das obras projetadas.
O grande sucesso de Chico Ribeiro na sua ativa vida de trabalho, pois outra não conheceu, deve-se a caracteristicas fundamentais.
De inteligencia cristalina e temperamento simples, tinha o dom de por em termos comuns, ao alcance de todos, os mais intrincados problemas, e isso levava a resolve-los em tempo curto, com sucesso. Nunca se degradou em mesquinharias, viu sempre as coisas por alto, com espirito de harmonia com altruismo.
Desconheceu a ira, pois era a prova, a doçura, nunca humildade, com que tratava a todos.
Sobretudo, era-lhe notavel a generosidade no ajuizar das fraquezas das criaturas e a prova era que dava-lhes peso sempre mais leves que a gravidade das faltas.
Abominava a maledicencia; no seus conselhos a parentes e amigos, lembrava sempre a necessidade de não agravar a situação alheia por uma antecipação de juizo, ou por um excesso maldoso ou ingenuo de julgamento. Detestava o escandalo e ao ser posto em destaque recusava-se a falar da sua pessoa e nisso tanto se empenhava que enquanto a fortuna corria para seus amigos, como resultado de atividades em que pessoalmente se empenhara, Chico Ribeiro na sua modestia, continuava na luta para sustento da numerosa familia - esposa, filhos, irmãs, sobrinhos - e sempre a proclamar que o homem se enobrece e se dignifica não pelo acumulo de bens materiais, mas pela pratica cristão da justiça e da caridade.
Esse foi Chico Ribeiro, o criador executor das Docas de Santos.
Em 22 de janeiro de 1950, daqui dois anos, ocorrerá o centenario de seu nascimento. Temos a certeza de que condigna será a sua comemoração e nisso fará o maior empenho a Companhia Docas de Santos que, com tanta oportunidade e justiça festejou o centenario de Weinschenck.
Mas, se falhar, ao seus amigos a parentes, e aos que tanto favoreceu moral e materialmente, dentre os quais me incluo como dos mais humildes, se oferecerá ocasião favoravel para faze-lo, num gesto de gratidão, pondo-se então em relevo, mais uma vez, a vida exemplar desse exemplar varão brasileiro."
O original desse jornal encontra-se arquivado na Biblioteca Pública Municipal Presidente Kennedy, São Paulo, SP. Não existe microfilme dessa época, estando o jornal em péssimo estado de conservação.

 retornar ao topo da página

Sua participação na Cia Docas de Santos

Houve três períodos distintos:
O primeiro desde a sua chegada em Santos, vindo de Pelotas, RS, aproximadamente em 1868 até 1886, no qual inicialmente lutou pela sua sobrevivência e posteriormente passou a lutar pelo seu sonho de construir um cais na cidade de Santos. No período inicial não procurou seus amigos, Candido Graffrée e Eduardo Palassim Guinle, para convidá-los para essa grande obra.
Datam de aproximadamente do ano de 1866 os primeiros e superficiais estudos ou tentativas para se obter do Governo Geral (império) a concessão para a construção e exploração do porto de Santos, esses estudos foram feitos pelo comendador Manoel Joaquim Ferreira Netto, falecido em 1868.
Em 31 de agosto de 1870, pelo decreto 4584, e, de acordo com o Decreto Imperial 1746 de 13 de outubro de 1869 foi dada a primeira concessão do porto organizado ao Conde Estrela e ao Dr. Putman sendo que esses empresários não chegaram a constituir a companhia necessária para a exploração do negócio. Pelo Decreto Imperial 1746, acima mencionado,
o governo autorizou à construção nos diferentes portos do império, de docas e armazéns para carga, descarga, guarda e conservação das mercadorias de importação e exportação.
Outras concorrências e  propostas houveram até o ano de 1882, inclusive uma da São Paulo Railway que contava com o apoio de políticos e empresários, por ser considerada a única com capacidade e competência para essa grande obra, sendo todavia todas  as propostas rejeitadas.
A Assembléia Provincial de São Paulo representou ao Governo Geral pedindo que a concessão fosse dada à Província, no que foi atendida.
Pelo decreto 8800 de 16 de dezembro de 1882 foi concedida, por 40 anos,  a concessão à Província de São Paulo nos termos do
Decreto Imperial 1746, de 13 de outubro de 1869.
Os representantes da Província não pareciam ter  o animo deliberado de levá-la adiante, pois seus dirigentes não tinham sequer de longe a menor idéia das enormes vantagens; nenhum havia refletido, pois que essas vantagens, capazes de remunerarem o capital mais exageradamente calculado, se demonstrariam à reflexão a que se entregassem. Foi prorrogado o prazo para se o início das obras em várias data, sendo a última por decreto 9438 de 06 de junho de 1885. Em 27 de março de 1886, pelo decreto 9573, foi declarada sem efeito a concessão à Província de São Paulo.
Dada a desistência e caducidade da concessão à Província de São Paulo, Francisco de Paula imediatamente escreveu a seus amigos, os quais não se mostraram entusiasmados, porém, indo ao Rio de Janeiro teve a ocasião e a oportunidade de convencê-los das enormes vantagens do negócio no que não teve outro trabalho que o de estimular o espírito de reflexão dos inteligentes amigos que se mostraram então muito entusiasmados.
Publicado novo edital em 19 de outubro de 1886, convocando os interessados, abriu-se uma concorrência pública pelo governo imperial, e apresentaram-se 6 propostas sendo a escolhida a do grupo da atual Cia Docas de Santos.
A concessão definitiva ocorreu em 12 de junho de 1888 pelo decreto 9979,
autorizando o contrato público com o grupo de empreendedores liderados por José Pinto de Oliveira, Cândido Gaffrée e Eduardo Guinle, empresa essa que posteriormente se transformou na Cia Docas de Santos. O prazo inicial de concessão foi de 39 anos e posteriormente elevado para 90 anos, além da obtenção de outras grandes vantagens.
Como diretor e presidente da Associação Comercial de Santos (1885-1886), teve Francisco de Paula um papel muito importante com o objetivo principal de dar andamento a idéia da execução dos melhoramentos do porto que se encontravam parados por mais de vinte anos.
Por ocasião da concessão em 1888 Francisco de Paula não tinha capital, pois no decorrer de sua vida profissional em Santos teve insucessos e ficou decidido que ficaria excluído do grupo, por estar numa situação financeira difícil, podendo prejudicar a nova sociedade. Ficou porém acertado que a constituição da sociedade seria feita em nome de seus amigos, Gaffrée e Guinle. A sua parte ficaria embutida dentro da parte de Eduardo Palassim Guinle conforme sua declaração a um amigo comum "Não se preocupe com o Chico, ninguém lucrará com o seu infortúnio, a sua parte ficará guardada dentro da minha. Seu capital será o trabalho que já teve e que vai ter". Uma verdadeira sociedade Capital / Trabalho.
O segundo entre 1886 e 1888, após a efetivação da sociedade, na luta pela formalização da concessão, ocorrida em 12 de junho de 1888.
O terceiro entre 1888 e 1902 como superintendente da Cia Docas de Santos, supervisionando e administrando a construção do porto de Santos tendo no final das obras se mudado para o Rio de Janeiro.
Pela sua visão e idealização do projeto, pela batalha travada durante 18 anos em Santos, perfeitamente descritas na carta de Guilherme Winter e pelo seu árduo trabalho até 1902, quando se completava um decênio da inauguração do primeiro trecho do cais e mudou-se de Santos para o Rio de Janeiro, o seu capital havia sido plenamente realizado. Seus sócios Gaffrée e Guinle ficavam em Porto Alegre, de onde eram oriundos ou no Rio de Janeiro numa segunda etapa, cuidando da parte administrativa e financeira da sociedade bem como de seus negócios particulares.
A grande elaboração intelectual, o grande trabalho e a habilidade consistiu principalmente em ser o primeiro a enxergar o futuro e convencer seus amigos a participarem da empreitada, e posteriormente no trabalho afanoso de anos de luta, no segredo do negócio para a obtenção de novos favores e por fim na exploração do maná que ninguém tinha enxergado. Nisso coube a Francisco De Paula Ribeiro o primeiro lugar. A parte do capital, a menos importante certamente, pois bastou meia pataca para o início, vindo o resto dos meios de crédito que a coisa em si proporcionava e na enorme e imediata renda da exploração.
Existe em Santos um bairro chamado “Chico de Paula”, em sua homenagem.
A área do bairro Chico de Paula tem como limites os bairros do Saboó, Alemoa, Via Anchieta e Morro. No bairro do Estuário, também em Santos, tem uma rua com o nome de "Francisco de Paula Ribeiro".
Ele ergueu, por sua conta e risco, um pequeno trapiche, no mangue do boqueirão, início do seu sonho que culminou com as obras da Cia Docas de Santos, anos depois.

Uma figura à frente de seu tempo, que merece ser estudada e aprofundada na sua vida e na sua obra.

Veja carta escrita por Candido Gaffrée à Francisco de Paula em 1902

 

Artigo publicado em um jornal do grupo "Diários Associados" aproximadamente em 1942

"Rio 3 – São Paulo commemorou as bodas de ouro das Docas de Santos com uma effusão que mostra como a grande companhia se identificou com a communidade a que ela serve. Pensamos em outra empresa nacional ou estrangeira, mais bem administrada que as Docas e difficilmente encontraremos. Ellas são o que há de precioso na capacidade de direção do homem brasileiro. Santos, São Paulo e o Brasil têm de que se orgulhar da força invencível do caráter das duas gerações que fundaram e mantêm esse patrimônio.

A construção do Porto de Santos em 1888 concebida por um grupo de brasileiros e levada a effeito por capitaes nacionais era um verdadeiro desafio mandado ao Brasil ainda colonial daquella epoca. Na equipe dos tres gaúchos que emprehenderam a companhia Docas de Santos existe uma escola de caracteres de alta virilidade moral. É bonito, após meio século lançar os olhos sobre a estrada percorrida e ver o triumpho alcançado pelo trabalho indefeso pela pertinácia e pelo optimismo de lutadores que nem um instante esmoreceram na peleja. Mas é preciso não esquecer de quantas decepções, de quantos desassocegos, de quantos sofrimentos não se faz uma vida de cincoenta anos ! Depois de Santos outros grandes portos se edificaram no Brasil. Só no porto do Para, o grupo da Brazil Railway lançou seis milhões esterlinos. Que são hoje esses seis milhões senão uma miserável lama igual à do fundo da baia de Guajará? Tem o grupo Booth a concessão do porto de Manaos. Há três décadas os inglezes que ali puseram as suas libras não vêm um penny de dividendo. A desgraça e a ruína financeira sistematizada se têm abatido sobre os capitaes particulares collocados em vários serviços portuários nossos, sem que se possa accusar de malversação qualquer das empresas que os dirigem.

Santos equivale a uma exepção, pella aliança unica da notavel prosperidade do hinterland paulista e a aptidão creadora e organizadora do grupo de homens, que tomou a si a construcção do porto. O actual presidente, que é o sr. Guilherme Guinle, mantem intacta a herança espiritual de seu antecessor. Candido Graffree. Esse guasca era rustico, lucido dotado de uma brutalidade de temperamento que se casava ao poder terrivel da vontade. Desde 1919 na direcção suprema dos negocios das Docas, Guilherme Guinle é um presidente de perfeita symetria. Elle conduz as Docas com a fina consciencia de um homem publico. Antes dos 40 annos se despojava voluntariamente da maior parte da sua forutna para edifcar esse monumento à beneficencia que é a fundação Gaffree-Guinle. A massa das suas acções em favor da sciencia e da caridade é incalculavel. Que metro mais rigoroso para aferir do valor de um  ser humano do que pelo seu interesse pelas coisas scientificas e philantropicas?

Poucos sabem que todo o ardente e imcomparavel esforço do prof. Alvaro Osorio, na luta contra o cancer tem como animador Guilherme Guinle na consciente maturidade do seu dever social.

Escrevendo acerca das Docas de Santos, quero recordar aqui um trecho da conversa que entretive há cinco annos, com Helio Lobo, quando esse eminente diplomata e escriptor compunha a sua memoria da vida da poderosa empresa. Pesquisando documentos, Helio Lobo chegara a conclusão de que, ao duo Gaffree-Guinle, faltava um terceiro elemento, de importancia decisiva na fundação das Docas. Pediu-me, com insistencia, que eu o ajudasse a reunir elementos que lhe permitissem pôr em destaque a acção de Francisco Ribeiro, como uma trave mestra no edificio do porto de Santos. E eu citei-lhe, logo de saida, o depoimento de João Alfredo. Frequentei com assiduidade entre 1915 e 1919 esse meu velho parente, que por signal occupou a presidencia de São Paulo. Intimo amigo de Candido Gaffree, entretanto, custumava dizer-me que o porto de Santos (cuja concessão fora dada por um gabinete por elle presidido) resultara de uma trindade. E, a seu ver, a parcella de Francisco Ribeiro no commetimento revestira qualquer coisa de prophetico. Elle fora o irressistivel e romantico sonhador da idéa. Francisco Ribeiro era tido como visionario. O seu papel assume uma belleza singular na fundação das Docas porque elle foi o homem dos homens, no grande emprehendimento. Nem se poderia comprehender que, vivendo no Rio de Janeiro, Candido Gaffree e Eduardo Guinle lograssem viver a idéa do porto de Santos como ella palpitava na alma de Francico Ribeiro. A illusão que por tantos anos o possuiu, e que era a sua força e o seu fraco, essa lhe era dada pela existencia mesma na cidade de Santos e a comprehensão pratica do grave problema do escoamento da producção da provincia. Negociante, no entreposto mercantil de São Paulo, elle enxergava, com uma lucidez prodigiosa, a significação de um caes atracavel dentro daquele organismo economico que dia a dia mais se desenvolvia e avolumava. Francisco Ribeiro se deu ao Porto de Santos de instincto de alma e de coração, obedecendo as forças obscuras do seu ser. A recordação que do seu nome fez Guilherme Guinle, no seu primoroso discurso é um preito de justiça e de amor a verdade historica."

Matéria publicada no jornal “O ESTADO DE S. PAULO” dia 14/07/1915,  FOLHAS 5.
FALLECIMENTOS

Em sua residência, à avenida Paulista 124, finou-se hontem, as 13 horas, victima de longa e pertinaz molestia, o sr. Francisco de Paula Ribeiro, conhecido capitalista aqui residente.
O finado, que contava com 65 annos de edade, gosava de grande consideração, não só aqui como em Santos.
Essa consideração era merecida. Espirito pratico, energico, homem de acção, teve o seu nome ligado aos maiores emprehendimentos do nosso Estado. Sabia aplicar os seus capitaes. Não se limitava a empregal-os em pequenas iniciativas industriaes e commerciaes. A Companhia Docas de Santos e varias vias ferreas do Estado devem-lhe, além do seu concurso material, o da sua intelligencia.
Era pois, um homem respeitavel, util e prestável, sendo digno das numerosas sympathias de que gosava no nosso meio.
Deixa viuva....

retornar ao topo da página